Category Archives: Nova York

Meu Ano Novo em Nova York

O fim do ano se aproxima e com ele vêm aqueles milhares de planos e dúvidas sobre o Ano Novo. “Onde passar o réveillon? Quantas garrafas de champanhe? O que devo vestir? Quantas ondas devo pular? Pode levar a farofa pra areia?” são só algumas das questões com as quais lidamos nessa época.

Imagem

A cidade vestida para o Ano Novo.

No meu primeiro réveillon fora do esquema praia – sol – show de escola de samba – cidra cereser resolvi radicalizar nos termômetros: Nova York. Com temperatura que chegou a -15 graus, lá fui eu ver o que uma das mais populares festas de Ano Novo poderia oferecer.

Cheguei na cidade alguns dias antes da virada. Era tanta gente no mesmo lugar que eu entendi o porquê do apelido de “a cidade que nunca dorme”. A Times Square parecia um formigueiro humano a qualquer hora do dia, da noite ou da madrugada, todos ansiosos por aquele momento.

Filosofando um pouco, aliás, o mais bacana do réveillon é o clima de felicidade e esperança. Seja na praia, na neve, no Rio, em Londres, Paris ou na cidadezinha do interior, o que todo mundo quer é se divertir, desejar coisas boas, agradecer as conquistas, pensar positivamente, renovar as promessas, os desejos e os objetivos. E nisso não tem outra data no mundo que chegue perto… As outras festas culturais e religiosas acabam excluindo uma ou outra parte do povo. O Ano Novo (do jeito que conhecemos) é mais democrático e universal. Afinal, é o calendário que está aí, né….

Pois bem. As opções pro dia 31 na grande maçã eram muitas. De boates e jantares em rooftops incríveis a ceias no quarto do hotel, tinha pra todos os gostos (e bolsos).

Nos meses que antecederam a viagem, minha pesquisa foi intensa. Os hotéis na região tinham preços proibitivos pra uma festa de algumas horas (algumas até exigiam black tie, o que definitivamente não era a proposta que procurávamos). Já os restaurantes com vista pra Times Square – leia-se Bubba Gump Shrimp e TGI Friday’s – eram a prioridade, mas esgotaram-se em minutos, mesmo com preço exorbitante. Outros na região, como o Planet Hollywood, ofereciam festa mas não garantiam o acesso à rua na hora da descida da bola (ball drop na língua de Shakespeare). Ué…. como assim?, eu perguntei. Explico: o tal acesso depende do humor da NYPD. Se tudo estiver correndo bem, pode ser que os convidados sejam autorizados a sair, olhar a bola, fazer a contagem regressiva, gritar êêêê happy new year e voltar pro restaurante, suas comidas e aquela música super animada. Bom… não preciso dizer que eu pensava na hipótese da polícia não permitir o acesso e ficarmos terrivelmente frustrados de estar lá e não estar ao mesmo tempo, entende? (ainda mais pagando caro e, ainda por cima, em dólar… NO WAY).

Saindo da Times Square, muitos hotéis descolados ou espaços de festas com vista do skyline cidade ofereciam possibilidades interessantes. Mas pra um casal esqueceram de mim, perdido em Nova York sozinho não parecia tão animadoras assim.

A última opção era – tchantchantchantchan – a Times Square em si. Siiiim, ela mesma. Parecia loucura, mas era o único jeito de realmente estar em uma das maiores festas do planeta.

Resolvemos, então, optar pelo meio a meio. A decisão foi participar da bagunça da Times Square sem esquecer (em parte, que fique bem claro) o conforto e a comida (afinal, festa de final de ano sem comida não é festa de final de ano, concordam?). Por isso, enquanto decidíamos, reservamos dois de restaurantes na área da Broadway: o bom e velho Serafina (o mesmo que tem filial em SP) e um restaurante de frutos do mar chamado Oceana. Depois de analisarmos menus, tripadvisor e localização, acabamos escolhendo o segundo. E a decisão foi acertadíssima.

Imagem

Cheers!

Fomos pra Times Square no início da noite. Recebemos por email os passes de acesso ao restaurante, já que ele ficava na área das ruas bloqueadas, e nossa ceia não poderia ter sido melhor: jantamos em um lugar lindíssimo, com uma comida maravilhosa e um atendimento impecável (pra ter uma ideia, foram tão atenciosos que pediram a um funcionário português que nos ajudasse com a escolha dos pratos).

De lá, pensamos em ir pra Times Square, mas no super-mega-hiper organizado esquema novaiorquino, os quarteirões vão sendo fechados a medida que as pessoas chegam (e todo mundo passa por uma pequena revista). Ou seja, em noite de show da Lady Gaga, só tinha lugar lá no Central Park. Optamos por ficar no Bryant Park, de onde teríamos uma vista lateral da bola. Não era perfeito, mas era suficiente. E enquanto não dava meia-noite, tivemos tempo de comprar uva no mercadinho de rua (pelo menos uma simpatia brasileira não poderia faltar) e ainda ligamos pra família, já que no Brasil já era ano novo.

O réveillon fora do país, como todo mundo sabe, não tem 1/100 da festa brasileira. Lá, a bolinha caiu, as pessoas se cumprimentaram, gritaram o tal happy new year e foram pra casa. Acho que em 15 ou 20 minutos a rua já estava vazia, vazia. E não, não pode beber – e muito menos havia carros tocando funk alto nas esquinas de Manhattan. Fomos pro hotel dispostos a acordar cedo e aproveitar o 1º dia do ano. Ah, e mais um ponto positivo: não nevou.

Se eu curti? Muito. Estar ali é um momento único. Se eu faria de novo? Acho que agora, depois de passar uma virada na rua, já posso procurar outra opção. Talvez com os amigos, talvez em um hotel de luxo, talvez me entupindo de hambúrguer americano… Coisas que só o tempo dirá. Pra quem me pergunta, costumo dizer que a diferença daqui foi de não ter feito uma viagem para celebrar o Ano Novo. Eu apenas viajei. E, por coincidência, teve “um tal de ano novo” durante esses dias.

Imagem

A vista – lateral – da bola

Meu conselho pra quem vai fazer algo parecido daqui a 20 dias é: não dá pra sair do Brasil esperando a mesma emoção de um réveillon em Búzios, Copacabana, Maresias, Fortaleza ou Floripa. Mas, sem dúvida, é algo inesquecível. Pra ticar – com orgulho – da lista das viagens dos sonhos.

Imagem

Tudo lotado 

Anúncios

Deixe um comentário

Filed under EUA, Nova York