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Uma tarde no Rio Antigo

Todo primeiro sábado do mês é assim: a Feira do Rio Antigo toma conta da Rua do Lavradio, na Lapa, centro mais do que boêmio do Rio.

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Mais conhecida como Feira do Lavradio, é um programa pra lá de carioca. Claro que eu, como bom morador da cidade, nunca tinha ido – até o mês passado (sabe aquela de que “não conhecemos nossa própria cidade”? Pois é). Coloquei uma roupa leve e um tênis confortável e fui ver no que dava. A Lavradio é conhecida por abrigar em seus casarões antigos muitos bares, restaurantes, casas de samba e antiquários. A única coisa que sai da ordem por lá é o moderno (e horrendo) prédio do Tribunal do Trabalho – mas a gente finge que não vê e segue em frente.

Chegamos um pouco depois das 1 hora da tarde e já estava lotada. O calor era de fritar ovo no asfalto, o que pode assustar um pouco, mas garanto que vale a pena. Paramos o carro em um dos enormes estacionamentos com acesso pela Rua dos Arcos. O valor é bem mais salgado do que na rua, mas a segurança e a praticidade de poder guardar as compras e continuar o passeio fazem o investimento valer a pena.

A feira ocupa 4 longos quarteirões. Durante todo o percurso, a rua fica tomada por barracas que vendem (quase) tudo: pinturas, arte, decoração, artesanato. Os objetos de antiguidade tomam conta da parte mais central da rua. Essa pode até não ser a parte mais “comprável”, mas certamente é a mais divertida. Além dos onipresentes candelabros, pratos e talheres antigos, vi jogos, brinquedos e bonecas que, na boa, deveriam ter entre 20 e 30 anos! Uma viagem no tempo pra qualquer pessoa.

O mais bacana é que os muitos antiquários que dominam a rua e dão nome à feira abrem suas portas e expõem na calçada em frente às lojas! Sabe aquela mistura kitsch de casa da vó, museu e galeria de arte ao ar livre?

Ah, é até óbvio, mas vale dizer que muitas peças remetem ao Brasil e, principalmente, ao Rio. Quadros, camisas, porta-copos, esculturas, capacho de porta, relógios, o que você imaginar que possa levar as tradicionais estampas do calçadão de Copacabana / Arcos da Lapa / Cristo / samba / mulata / bonde de Santa Teresa existem lá (é necessário usar um pouquinho do bom gosto, claro), o que torna o programa uma ótima opção turistas que estejam pela cidade e queiram umas lembrancinhas do país.

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Artesanato de outros países

Com relação aos preços, achei bastante honesto. Acho que pelo fato de só acontecer uma vez por mês, não tem aquela vibe pra turista ver das feirinhas de Copacabana e muito expositor leva pra Feira o que produz ou vende em ateliês ou lojas próprias.

Depois de muita andança, algumas compras e muita pechincha (atenção, atenção!), paramos pra almoçar. A concentração de restaurantes e bares fica nas extremidades da feira, mas pelo caminho vão aparecendo os autênticos botecos cariocas, com cerveja de garrafa e roda de samba. Mas como já era tarde e a fome chegava com força, optamos pelo prato tradicional (servido em 9 de 10 lugares, aliás): feijoada.

Escolhemos o Demi-Glace (quase na esquina com Rua da Relação) de buffet de feijoada e caipirinha (não falei que era um programa carioca típico?). A dúvida é grande, porque outros restaurantes também pareciam bacanas (o Barzinho, aliás, foi eleito pelo O Globo como um dos 10 melhores pés-limpos da cidade).

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Isabelita também estava por lá…

Saímos de lá e já eram 6 da tarde de um sábado movimentado. É programa pro dia todo, ainda mais se a ideia for almoçar por lá. Dá ainda pra combinar com uma volta mais extensa pela Lapa, visitando os Arcos ou a Escadaria Selarón, ou até mesmo os restaurantes de Santa Teresa, o Mercado Popular do Saara ou uma visita aos museus Centro, já que CCBB e MAR não estão longe dali. Mas isso fica pra outro post… 🙂

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O casario antigo

Nesse mês de dezembro, por conta do Natal, a feira acontecerá excepcionalmente em duas datas: nos dias 7 e 21.

Mais uma coisinha: as últimas notícias sobre a região com relação à segurança não são muito animadoras… Na parte central da Lapa, que inclui os Arcos e a própria Lavradio, os cuidados são os básicos (e de dia tudo é muito mais tranquilo, claro). Não custa evitar as ruas mais afastadas, principalmente à noite e desacompanhado. Os metrôs Cinelândia e Carioca ficam relativamente perto, mas muitos ônibus passam pela Mem de Sá, mais práticos e mais indicados. Táxis sempre são a melhor opção, principalmente pra volta com sacolas.

Agora é aproveitar o passeio e ir às compras!

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