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Para Dormir no Galeão

No feriadão passado, aproveitei pra dar uma escapadinha pra visitar a capital dos hermanos.

Meu voo da  Aerolíneas, comprado com muito tempo de antecedência, sairia bem cedo do Galeão, mais exatamente às 6 horas da madrugada. Claro que a minha preferência era não voar com a cia aérea argentina devido à fama não muito boa da empresa, mas com o total abandono do Rio por parte da Gol e, principalmente, da TAM, sem sombra de dúvidas, era a melhor opção de horários e voos diretos ligando ligando a capital carioca à Buenos Aires.

Agendamos o táxi com antecedência suficiente para chegarmos a tempo do check in, mas não tão cedo como deveria. Pra completar, o motorista era daqueles que conversam muito. Resultado: fomos os últimos na fila do atendimento e assim que chegamos na atendente, ouvimos a apavorante palavrinha OVERBOOKING.

Pois é. Segundo a funcionária, por causa do feriado, todos os voos estavam completamente lotados desde o dia anterior, o que criou uma bola de neve de passageiros, empurrados para os voos seguintes e – tcharam – nós fomos os sorteados da vez. Sem lugar nas outras cias, a única opção era pegar o voo das 10:20.

Confesso que eu já estava preparado para mofar por 4 horas naquela agradabilíssima Rodoviária Internacional do Rio de Janeiro quando soou nos nossos ouvidos “forneceremos táxi de ida e volta para casa ou para o hotel aqui perto, o que vocês preferirem”. Estavámos sonhando?

Quem chegou ou saiu pelo GIG nos últimos 6 meses deve ter reparado em um novíssimo prédio construído na avenida que dá acesso aos terminais, no perímetro do aeroporto. Desde novembro de 2013, funciona ali o Linx Hotel Galeão. E foi pra lá que nos mandaram.

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Parte do lobby e as telas dos voos

Aqui cabe uma lembrança: em 2011, foi bastante noticiado com tom de tragédia o fechamento do hotel Pousadas Galeão, que ficava no terminal 1 (se não me engano, rolou uma ação de despejo por falta de pagamento de aluguel, dessas coisas que só existem nesse ridijanêro, né). A única opção ficou sendo o Luxor Aeroporto Hotel, naquele mesmo terminal. Não que o Linx tenha vindo substituir o Pousadas, já que preço, estrutura e, portanto, público-alvo, são bem diferentes, mas é bacana ver nascerem apostas no maltratado turismo do país (aliás, dizem que a rede têm pretensões de abrir mais unidades em outros aeroportos do país, como Confins e Santos Dumont).

Pois bem. Em menos de 3 minutos o táxi nos deixava na porta do hotel. Na realidade nem precisava, já que das 5h à meia-noite há transporte gratuito a cada meia hora para os hóspedes, mas só descobrimos isso na recepção.

O design é wannabe modernoso, com muito cimento e o verde-limão chamando atenção pros detalhes, principalmente do enorme lobby. Na minha humilde opinião, a decoração poderia ser um pouco mais caprichada, talvez mais estilo hotel boutique. Confesso que senti falta de uma identidade, tudo tem muita cara de hotel de rede, e acho que umas luminárias, poltronas e objetos bacanas dariam conta do recado. Depois do rápido check in, fomos ao café da manhã, servido onde funciona o restaurante do hotel. O ambiente é bem agradável e as opções de sucos, pães, frios e frutas foram muitas.

O quarto tem um bom espaço e, mais uma vez, conta com uma decoração bem simplinha e sem personalidade, mas, pelo menos no lado que ficamos, tinha uma vista peculiar pro sobe-e-desce dos aviões e pra área da piscina. Sim, a surpresa é uma piscina bonita, voltada pra área verde atrás do hotel (por isso, invisível por quem passa na rua), mas que só admirei pela janela. Confesso que o cansaço e o pouco tempo me impediram de explorar melhor as dependências… Dando uma olhada no site, descobri que também há academia e sala de eventos, o que pode ser uma super mão na roda para os viajantes de negócios – e vale dizer que, bendito seja, o wifi é gratuito 🙂

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Café da manhã

A única surpresa fica por conta da tarifa. No balcão, o valor chegava a 600 realidades! No booking dá pra achar por 400 e pouco, mas mesmo assim eu achei salgado por dois motivos: é basicamente um hotel de rede, sem qualquer luxo, e o entorno não é nada turístico. O grande atrativo é, obviamente, a proximidade do aeroporto, já que dali pra qualquer parte da cidade é uma boa caminhada acompanhada de muito engarrafamento. Ou seja, com raras exceções, é para o viajante que está de passagem pelo Galeão e/ou pela cidade.

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Quarto duplo

Ah! Quase ia me esquecendo: no lobby existem telões que informam os status dos voos que decolam ali do lado. E o mais bacana: as TVs do quarto também possuem essa opção! É só sintonizar em um determinado canal e acompanhar “voo atrasado”, “embarque imediato” ou “última chamada”.

Bom, no Linx não tem desculpa pros atrasadinhos (eu!) perderem o voo…

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Uma tarde no Rio Antigo

Todo primeiro sábado do mês é assim: a Feira do Rio Antigo toma conta da Rua do Lavradio, na Lapa, centro mais do que boêmio do Rio.

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Mais conhecida como Feira do Lavradio, é um programa pra lá de carioca. Claro que eu, como bom morador da cidade, nunca tinha ido – até o mês passado (sabe aquela de que “não conhecemos nossa própria cidade”? Pois é). Coloquei uma roupa leve e um tênis confortável e fui ver no que dava. A Lavradio é conhecida por abrigar em seus casarões antigos muitos bares, restaurantes, casas de samba e antiquários. A única coisa que sai da ordem por lá é o moderno (e horrendo) prédio do Tribunal do Trabalho – mas a gente finge que não vê e segue em frente.

Chegamos um pouco depois das 1 hora da tarde e já estava lotada. O calor era de fritar ovo no asfalto, o que pode assustar um pouco, mas garanto que vale a pena. Paramos o carro em um dos enormes estacionamentos com acesso pela Rua dos Arcos. O valor é bem mais salgado do que na rua, mas a segurança e a praticidade de poder guardar as compras e continuar o passeio fazem o investimento valer a pena.

A feira ocupa 4 longos quarteirões. Durante todo o percurso, a rua fica tomada por barracas que vendem (quase) tudo: pinturas, arte, decoração, artesanato. Os objetos de antiguidade tomam conta da parte mais central da rua. Essa pode até não ser a parte mais “comprável”, mas certamente é a mais divertida. Além dos onipresentes candelabros, pratos e talheres antigos, vi jogos, brinquedos e bonecas que, na boa, deveriam ter entre 20 e 30 anos! Uma viagem no tempo pra qualquer pessoa.

O mais bacana é que os muitos antiquários que dominam a rua e dão nome à feira abrem suas portas e expõem na calçada em frente às lojas! Sabe aquela mistura kitsch de casa da vó, museu e galeria de arte ao ar livre?

Ah, é até óbvio, mas vale dizer que muitas peças remetem ao Brasil e, principalmente, ao Rio. Quadros, camisas, porta-copos, esculturas, capacho de porta, relógios, o que você imaginar que possa levar as tradicionais estampas do calçadão de Copacabana / Arcos da Lapa / Cristo / samba / mulata / bonde de Santa Teresa existem lá (é necessário usar um pouquinho do bom gosto, claro), o que torna o programa uma ótima opção turistas que estejam pela cidade e queiram umas lembrancinhas do país.

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Artesanato de outros países

Com relação aos preços, achei bastante honesto. Acho que pelo fato de só acontecer uma vez por mês, não tem aquela vibe pra turista ver das feirinhas de Copacabana e muito expositor leva pra Feira o que produz ou vende em ateliês ou lojas próprias.

Depois de muita andança, algumas compras e muita pechincha (atenção, atenção!), paramos pra almoçar. A concentração de restaurantes e bares fica nas extremidades da feira, mas pelo caminho vão aparecendo os autênticos botecos cariocas, com cerveja de garrafa e roda de samba. Mas como já era tarde e a fome chegava com força, optamos pelo prato tradicional (servido em 9 de 10 lugares, aliás): feijoada.

Escolhemos o Demi-Glace (quase na esquina com Rua da Relação) de buffet de feijoada e caipirinha (não falei que era um programa carioca típico?). A dúvida é grande, porque outros restaurantes também pareciam bacanas (o Barzinho, aliás, foi eleito pelo O Globo como um dos 10 melhores pés-limpos da cidade).

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Isabelita também estava por lá…

Saímos de lá e já eram 6 da tarde de um sábado movimentado. É programa pro dia todo, ainda mais se a ideia for almoçar por lá. Dá ainda pra combinar com uma volta mais extensa pela Lapa, visitando os Arcos ou a Escadaria Selarón, ou até mesmo os restaurantes de Santa Teresa, o Mercado Popular do Saara ou uma visita aos museus Centro, já que CCBB e MAR não estão longe dali. Mas isso fica pra outro post… 🙂

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O casario antigo

Nesse mês de dezembro, por conta do Natal, a feira acontecerá excepcionalmente em duas datas: nos dias 7 e 21.

Mais uma coisinha: as últimas notícias sobre a região com relação à segurança não são muito animadoras… Na parte central da Lapa, que inclui os Arcos e a própria Lavradio, os cuidados são os básicos (e de dia tudo é muito mais tranquilo, claro). Não custa evitar as ruas mais afastadas, principalmente à noite e desacompanhado. Os metrôs Cinelândia e Carioca ficam relativamente perto, mas muitos ônibus passam pela Mem de Sá, mais práticos e mais indicados. Táxis sempre são a melhor opção, principalmente pra volta com sacolas.

Agora é aproveitar o passeio e ir às compras!

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